As primeiras notícias sobre oficinas literárias datam da década de 30. Oficialmente, em 1936, Wilbur Schramm deu a aula inaugural da disciplina que se espalharia pelo mundo como Escrita Criativa. Scramm era professor da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, e seu Program in Creative Writing continua até hoje. Por lá já passaram os brasileiros Affonso Romano de Sant’Anna, Charles Kiefer e João Gilberto Noll. A proliferação ds laboratórios de texto gera discussões quanto à eficiência do ensino. Para uns, massificação da literatura, para outros tão válido quanto aprender a tocar um instrumento.
No Brasil, a primeira oficina foi de Cyro dos Anjos, em 1962, na Universidade de Brasília. As cadeiras de criação literária são comuns nas universidades americanas. Entre as mais famosas, estão a da University Eastern Washington, da University of Cincinnati, da Universidade de Syracuse, da Rutgers University e da Universidade do Arizona. Na França, as aulas para escritores iniciaram na década de 60 com Elisabeth Bing. As universidades francesas também aderiram ao laboratório de texto. Um dos mais conhecidos é o da Universidade de Grenoble III. A Sorbonne também tem seu atelier d’écriture. A Factoría de Alquimia Literaria, de Sevilha, é a oficina, ou tallere, mais lembrada na Espanha. A América Latina tem bons exemplos no México, Cuba, Equador, Uruguai e no cybertaller da argentina Laura Calvo.
O curso de Iowa ostenta dezesseis ex-alunos que venceram o prêmio Pulitzer, entre eles Michel Chabon, a romancista Joyce Carol Oates e o finalista Raymond Carver. No exterior, a escrita criativa é fortemente ligada a instituições de ensino. Os cursos fora delas são praticamente inexistentes. No Brasil, muitas oficinas literárias são institucionalizadas fora das universidades, como empreendimento, ainda que surjam dentro delas. O curso Cíntia Moscovich é um exemplo. A escritora gaúcha foi teve aulas de escrita criativa com Luiz Antônio de Assis Brasil e atualmente ministra suas próprias.
Recentemente, a revista americana The New Yorker publicou um artigo no qual contesta a validade das oficinas. “Programas de escrita criativa são baseados na teoria de que estudantes que nunca publicaram um poema podem ensinar outros estudantes que nunca publicaram um poema como escrever um poema publicável”, escreve Louis Menand autor do artigo. Abaixo do Equador, os cursos também recebem críticas. Sérgio Rodrigues, escritor e blogueiro do site Todo Prosa, afirma que as oficinas não podem formar escritores, porque o dom é natural, no entanto elas podem aprimorar a escrita. Nesse ponto, Luiz Antônio de Assis Brasil está de acordo com Rodrigues (assista o vídeo Entrevista com Luiz Antônio de Assis Brasil). Para ele, “o texto de quem faz oficina fica mais limpo”. Hanif Kureishi, autor e professor inglês afirmou ao jornal The Guardian (leia a tradução aqui) que “as oficinas literárias são os novos hospitais psiquiátricos”.
Críticas à parte, a presença de um professor tende tanto a melhorar quanto a uniformizar o conhecimento. As oficinas servem como base técnica, o conteúdo depende do nível de interesse de cada aluno. Luiz Antônio de Assis Brasil comenta que os argumentos sobre a padronização do texto não são válidos, e cita como exemplo as escolas de arte, que não são criticadas por formar artistas iguais.
Assita às entrevistas com escritores sobre oficinas literárias
Tags: Assis Brasil, Charles Kiefer, Novos escritores, Oficinas literárias
Junho 17, 2009 ás 6:40 pm |
Que post interessante! Olha, eu estou pesquisando sobre oficinas literárias, como começou essa história de escrita criativa e tudo mais. Vocês têm alguma dica de fontes?
Junho 18, 2009 ás 3:19 am |
Olha, de cabeça só me vem o site do Assis, mas tu já deve ter procurado lá… Hehehe… Let’s think about it!